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Recanto d' Alandra

O lado mais esotérico do Bem-Estar!

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Tatuagens: A sua origem e a sua História

04
Jan14

São inúmeros os motivos que as constituem e também inúmeras as motivações porque são feitas. Olhadas com alguma desdém há alguns anos atrás pelas pessoas mais conservadoras e embora hoje muito melhor aceites e bem mais populares, há ainda quem tenha reservas em relação a elas. De vários estilos, cores, formas, feitas em vários locais, amadas por alguns e detestadas por outros, mas raramente deixam alguém indiferente, são elas, as tatuagens.

Desenhos permanentes gravados no corpo consideradas “as verdadeiras” tatuagens, também podem ser temporárias, mas seja de que estilos forem, fazem parte hoje em dia, da moda corrente. Mas apesar de tão actuais, as tatuagens são uma tradição muito antiga, na verdade uma tradição que data há mais de 3000 anos.

A palavra tatuagem deriva da palavra francesa “tatouage” derivada esta da inglesa “tattoo”, que por sua vez, tem origem na palavra “tattow” escrita no diário do Capitão James Cook aquando da sua expedição á Polinésia, e que é usada para relatar os desenhos que os nativos faziam nos seus corpos e que eles chamavam de “tatau”,  palavra derivada do som que era feito durante a execução das tatuagens.

Onde e como surgiram?

Não há consenso quanto ao surgimento das tatuagens. De facto, acredita-se na generalidade que a tatuagem não tenha tido uma única origem, pois terá surgido em várias partes do mundo mais ou menos na mesma época, na Pré-história. Como muitos povos primitivos eram nómadas, crê-se que a tatuagem poderá ter passado de uns povos para outros.

Possivelmente a arte terá surgido a partir do estatuto atribuído às marcas e cicatrizes feitas involuntariamente, em combates e caçadas, que eram sinónimo de força e virilidade daquele que as possuía. Em busca dessa diferenciação e estatuto, os homens passaram então a marcar-se voluntariamente, evoluindo depois estas marcas para desenhos, recorrendo a tintas vegetais e espinhos, servindo-se mais tarde e consoante os locais e os materiais a que tivessem acesso, de penas, espinhas e pequenos ossos ou chifres.

Em 1991 foi encontrada a Múmia Otzi (assim chamada em homenagem ao local onde foi descoberta), datada de 5.300 anos antes de Cristo, e por se encontrar congelada num bloco de gelo, tinha conservadas  as suas 57 tatuagens, que eram padrões de pontos e linhas  simples ao longo da coluna, e também uma cruz numa das coxas e desenhos tribais em toda a perna. Os pesquisadores crêem que as tatuagens constituídas de pontos e linhas fossem indicadoras de uma forma primitiva de acupunctura. No Egipto também foram descobertas algumas múmias tatuadas, sendo uma delas de uma princesa egípcia que apresentava uma grande espiral desenhada no baixo ventre, que os pesquisadores associam a possíveis rituais de fertilidade, e uma outra de uma sacerdotisa cujos desenhos eram linhas horizontais paralelas à altura do estômago e possivelmente funcionariam como protecção contra gravidez ou doenças. Foram encontradas também no Vale do Nilo múmias com desenhos semelhantes.

Os cientistas acreditam que algumas dessas tatuagens estão associadas a rituais mágicos, de fertilidade, ou mesmo com função medicinal. Também crêem que as tatuagens em múmias do sexo feminino tinham uma função estética, servindo como realçadora da beleza.

As finalidades da tatuagem na Antiguidade variavam de cultura em cultura, podendo ter funções religiosas e espirituais, ou funcionando como rituais para marcar a maioridade de um individuo, ou a sua posição social. Por exemplo, um povo do Norte da Europa, os Pictos, acreditava que as suas tatuagens lhes davam força e que após a morte, através delas os seus antepassados os reconheceriam no mundo espiritual. Crença semelhante tinham os índios Sioux, dos Estados Unidos, que acreditavam que ao passarem do mundo físico para o mundo espiritual, uma entidade celestial exigia ver as suas tatuagens para depois deixá-los entrar no paraíso.

Os Samoanos tatuavam-se para marcar a passagem da infância para a idade adulta, e por mais velho que fosse, se o indivíduo não fosse tatuado, não teria voz numa roda de adultos nem permissão para tomar uma esposa para si. Quanto mais tatuado um indivíduo fosse, maior seria o seu estatuto social.

 Esta ligação da tatuagem ao estatuto social, era característico dos povos das Ilhas do Pacífico Sul, uma cultura que ficou bastante conhecida pela sua arte, e na qual as tatuagens se destacam. Um dos estilos é a tradicional Moko, tatuagem tradicional Maori feita no rosto.  

Os Astecas, Incas e Maias também se tatuavam por questões de estatuto social, mas também por questões religiosas.

Acredita-se que no início da era Cristã, os primeiros cristãos, perseguidos pelo jugo do paganismo, utilizavam as tatuagens para se reconhecerem entre si, usando símbolos como o peixe, a cruz, as letras IHS (alusão ao nome de Jesus) ou letras gregas. Ironicamente, na Idade Média foram os cristãos quem aboliu as tatuagens, relacionando-as com “práticas ligadas ao mal” e ao paganismo, perseguindo desenfreadamente todos aqueles que tivessem uma marca, malformação ou desenho na pele, acabando da forma triste que já se sabe, na fogueira.

No Japão feudal as tatuagens eram um castigo, servindo para marcar os criminosos. Para o cidadão comum preocupado com a sua imagem no seu contexto social, ser tatuado era pior que a morte, uma vez que ficava marcado, literalmente, perante a sociedade. Contudo, mais tarde, esta conotação negativa, mudou de extremo, na Era Tokugawa, uma vez que ser criminoso se tornou sinónimo de resistência contra o governo opressor. As tatuagens tornaram-se então populares simbolizando a resistência do povo contra a opressão do governo. Surgiu nessa época a máfia japonesa Yakuza, e os seus membros tatuavam os seus corpos em sinal de lealdade para com a organização, simbolizando também a oposição ao regime.

No século XVIII, a arte da tatuagem foi “ressuscitada” no Ocidente pelo contacto dos Europeus com as culturas do Pacífico, através das suas expedições, e os marinheiros ingleses aprenderam com os nativos a arte da tatuagem, praticando-a depois nos seus próprios corpos, sendo um símbolo das suas aventuras e valentia perante o desconhecido.

A tatuagem ressurgia assim, no Velho Continente, chegando a ficar popularizada (imagine-se!) entre a realeza europeia, já no século XIX. Sabe-se que o rei Edward VII tatuava o seu corpo com frequência e deixou explícito, antes de falecer, o desejo dos seus filhos serem também tatuados. O rei Edward VII tinha uma cruz de Malta, uma âncora e um dragão tatuados nos braços.

O filho de Edward VII, George V,  pediu ao seu tutor que o levasse ao Japão para ser tatuado pelo mestre Hory Chiyo, a maior autoridade local, que lhe tatuou um dragão no braço.

Contudo, os marinheiros daquele tempo eram homens rudes e beberrões, que passavam ás vezes anos longe de casa, e os seus hábitos de vida eram considerados “pouco ortodoxos” perante a sociedade, e também os próprios piratas tinham o hábito de se tatuar, por isso apesar desta crescente popularidade, a arte por eles trazida foi relacionada à marginalidade e à criminalidade pela maioria das pessoas, propagando-se com mais facilidade entre prostitutas, presidiários e criminosos. Também a forma de execução da tatuagem, era vista para alguns como um sinal de tendência à homossexualidade, pela penetração da carne.

Em 1891 surge uma importante invenção para o mundo das tatuagens: a máquina de tatuar inventada por Samuel O’ Reilly, na verdade uma nova versão de um aparelho concebido para gravar sobre superfícies duras inventado por Thomas Edison e chamado de impressora autográfica. A máquina de tatuar foi patenteada pelo próprio Samuel O’ Reilly em 1896.

Na época da Segunda Guerra Mundial, os marinheiros e soldados gravavam nos seus corpos o nome da pessoa amada. Infelizmente, a pratica da tatuagem também era usada nos campos de concentração nazi, para marcar os prisioneiros. Era-lhes tatuado um número que serviria para identificá-los.

A partir dos anos 50 a tatuagem começou aos poucos, a perder a sua conotação negativa, e a ser melhor aceite pela sociedade. Muito por “culpa” de músicos, actores de cinema e artistas em geral. Também a abertura de mentalidades consequente da emancipação da mulher, a “onda hippie” e vários acontecimentos revolucionários a partir desta época, levou a que pessoas comuns de mente aberta aderissem à arte, exibindo-a nos seus corpos.

Nos dias de hoje, embora ainda haja quem “não as veja com muito bons olhos”, a tatuagem tem sem dúvida o seu “lugar ao Sol” na cultura pop. É considerada um estilo, um modo de vida, uma forma de estar e de se embelezar. Também já não é exclusiva de gente muito jovem, aderindo a esta forma de arte pessoas das mais variadas idades.

É uma maneira de aliar em simultâneo a estética do corpo ao sentimento, fazendo com que um desenho, que pode representar um símbolo, uma marca, alguém ou algo muito especial, enfeite o nosso corpo.

Uma arte que literalmente, se torna parte de nós…

 

Foto: Free Digital Photos/ Autor da foto: Ohmega 1982

 

Este post foi fruto de elaborada pesquisa, para isso a autora recorreu a diversas fontes, referindo aqui as importantes na elaboração deste trabalho:http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/tatuagem-flor-pele-435179.shtml  http://www.tintanapele.com/2012/03/guia-completo-da-tatuagem.html  http://whiplash.net/materias/biografias/000117.html#.Ushb8i-YaP8 http://pt.wikipedia.org/wiki/Tatuagem http://dicasdoprofessor.com.br/curiosidades/conheca-a-historia-da-tatuagem/ http://www.coloruptattoo.com/informacoes/assuntos-de-bioseguranca http://reisdatattoo.blogspot.pt/p/historia-da-tatuagem.html http://joanario.no.sapo.pt/tatto_tempos.htm

 

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